PROFESSOR AMERICANO MORRE EM RIO PRETO APÓS QUATRO ATENDIMENTOS EM UPAs; FAMÍLIA APONTA NEGLIGÊNCIA
Clinton Ernest Craddock, de 43 anos, apresentava dores abdominais e recebeu diagnóstico de "gases". Exames posteriores na Santa Casa revelaram apêndice rompido e infecção generalizada.
20/01/2026
Nilson Lobão/Saiba Tudo
SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, SP – A Polícia Civil e a Secretaria Municipal de Saúde investigam as circunstâncias da morte do professor de idiomas norte-americano Clinton Ernest Craddock, de 43 anos. O docente faleceu na noite de domingo (18) na Santa Casa de São José do Rio Preto, após uma saga de atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) que, segundo a família, falharam em diagnosticar uma apendicite aguda.
A “Peregrinação” por Atendimento
De acordo com o relato da esposa, Priscila de Souza Marques, Clinton começou a sentir fortes dores abdominais no dia 11 de janeiro. A partir daí, iniciou-se uma sequência de visitas às unidades de saúde:
12 de janeiro (UPA Norte): Atendido com dores, foi medicado e liberado com diagnóstico de gases, prisão de ventre e cólica renal.
13 de janeiro (UPA Santo Antônio): Retornou devido à persistência da dor. Foi submetido a um raio-X que, segundo a família, não apontou anormalidades.
15 de janeiro (UPA Norte): O quadro se agravou drasticamente. O professor começou a vomitar secreção e fezes, sinal clássico de obstrução ou perfuração intestinal. Ele foi retido na emergência.
Clinton foi transferido para a Santa Casa apenas no dia 16 de janeiro, já em estado crítico. De acordo com a nota oficial do hospital, o paciente deu entrada com quadro de abdômen agudo cirúrgico.
Uma tomografia computadorizada — exame mais preciso que o raio-X para estes casos — identificou grande quantidade de líquido na cavidade abdominal. Clinton foi levado imediatamente à UTI e submetido a uma cirurgia de emergência (laparotomia), onde os médicos constataram uma apendicite avançada com presença de pus. Apesar dos esforços, ele não resistiu à infecção generalizada (sepse) e morreu às 23h20 de domingo.
Investigação e Posicionamento
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou as passagens do paciente pelas UPAs e informou que uma auditoria será realizada para avaliar se houve falha na conduta médica ou se comorbidades desconhecidas interferiram no quadro.
A família, no entanto, é enfática ao denunciar negligência médica. “Ele era uma pessoa saudável, morava no Brasil há oito anos e não tinha problemas de saúde”, afirmou a viúva. Para especialistas ouvidos sob condição de anonimato, a demora em realizar exames de imagem mais complexos (como a tomografia) diante da reincidência da dor pode ser o ponto central da investigação.
Entenda o risco
A apendicite é uma inflamação que exige intervenção rápida. Se não tratada, o apêndice pode romper, espalhando bactérias pela cavidade abdominal.
O corpo de Clinton Ernest Craddock deve passar por exames periciais antes da liberação para os atos fúnebres. O caso segue sob acompanhamento das autoridades locais.