CRISE NA SAÚDE: FALTA DE MEDICAMENTOS ESSENCIAIS EM TRÊS LAGOAS DESMENTE DISCURSO DE “99% RESOLVIDO”

Recentemente, a secretária de Saúde afirmou publicamente que "99% da falta de medicamentos está resolvida". No entanto, o otimismo da pasta não resiste a uma visita às unidades de saúde. Nas redes sociais, o que se vê é um "desmentido coletivo": moradores relatam que itens básicos e de uso contínuo seguem indisponíveis há meses, desde o início da gestão do prefeito Cassiano Maia.

27/12/2025

Nilson Lobão/Saiba Tudo

TRÊS LAGOAS (MS) – O abismo entre as declarações oficiais da Secretaria Municipal de Saúde e a realidade das farmácias públicas de Três Lagoas tem gerado uma onda de revolta na população. Enquanto a gestão municipal celebra uma suposta normalização no abastecimento, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam prateleiras vazias e a interrupção de tratamentos vitais.

Recentemente, a secretária de Saúde afirmou publicamente que “99% da falta de medicamentos está resolvida”. No entanto, o otimismo da pasta não resiste a uma visita às unidades de saúde. Nas redes sociais, o que se vê é um “desmentido coletivo”: moradores relatam que itens básicos e de uso contínuo seguem indisponíveis há meses, desde o início da gestão do prefeito Cassiano Maia.

Prateleiras vazias e tratamentos interrompidos.

A lista de medicamentos ausentes é extensa e preocupante. Estão em falta desde antibióticos e analgésicos até remédios controlados para saúde mental. Entre os itens mais citados pelos usuários estão:

  • Saúde Mental: Venlafaxina (150 mg);
  • Tratamentos Crônicos: Isoflavona e Complexo B;
  • Antibióticos e anti-inflamatórios: Nitrofurantoína e Prednisolona (suspensão);
  • Alívio de Sintomas: Ondansetrona, Dramin injetável e Paracetamol com codeína;
  • Cuidados Específicos: Proctyl.

A ausência desses fármacos não afeta apenas o bolso de quem precisa comprar do próprio bolso; ela coloca em risco a vida de idosos, crianças e doentes crônicos que não possuem recursos para arcar com os custos na rede privada.

“Brincar com a cara da população”

A repercussão negativa tomou conta das plataformas digitais logo após a entrevista da secretária. “Se está 99% resolvido, quero saber onde, porque na farmácia do meu bairro não tem”, comentou uma moradora. Outro usuário foi ainda mais enfático: “Isso é brincar com a cara da população que depende do SUS”.

Para especialistas em saúde pública, a falta de medicamentos gera um efeito dominó perigoso: sem o remédio, o quadro do paciente se agrava, o que acaba sobrecarregando as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais com internações que poderiam ter sido evitadas.

Silêncio e falta de planejamento

Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Saúde de Três Lagoas não apresentou um cronograma detalhado para a chegada dos lotes faltantes, nem explicou as causas técnicas para o desabastecimento prolongado de itens básicos.

A falta de transparência sobre o estoque real das farmácias municipais alimenta a sensação de que a propaganda institucional caminha em direção oposta à necessidade das comunidades, deixando os pacientes à mercê da própria sorte.

Serviço

Caso você não encontre o medicamento prescrito na rede municipal, o cidadão pode protocolar reclamações nos seguintes órgãos:

  • Ouvidoria do SUS: Disque 136.
  • Ministério Público de Mato Grosso do Sul (Três Lagoas): para denúncias de falta crônica de assistência à saúde.

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