ESCÂNDALO EM PARANAÍBA: SERVIDORAS SÃO AFASTADAS POR FRAUDE DE R$ 190 MIL NA CÂMARA
Investigação aponta falsificação de assinaturas, manipulação de sistemas e "autoconcessão" de aumentos salariais; Justiça determinou o afastamento imediato das suspeitas.
05/02/2026
Nilson Lobão/Saiba Tudo
PARANAÍBA, MS – Uma decisão judicial abalou a estrutura administrativa da Câmara Municipal de Paranaíba nesta semana. Duas servidoras da Casa de Leis foram afastadas de suas funções sob a acusação de liderar um esquema de corrupção interna que gerou um prejuízo estimado em mais de R$ 190 mil aos cofres públicos.
A medida, assinada pelo juiz Edimilson Barbosa Ávila, da Vara Criminal da Comarca de Paranaíba, atende a um pedido do Ministério Público Estadual (MPMS). O magistrado determinou o afastamento cautelar por 180 dias, a proibição de acesso às dependências da Câmara e o bloqueio imediato de senhas e logins das acusadas.
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O “Caminho do Dinheiro”: Como funcionava o esquema.
De acordo com a denúncia, as servidoras utilizavam uma combinação de fraudes documentais e manipulação tecnológica para inflar seus próprios vencimentos. Entre as táticas identificadas estão:
- Reciclagem de Protocolos: Uso de números de protocolos antigos em novos requerimentos para simular a legalidade de pedidos de aumento salarial.
- Falsificação de Assinaturas: Uma das acusadas é suspeita de falsificar a assinatura do ex-presidente da Casa, vereador Edmar Pires da Silva Júnior (o “Dollar”), em ofícios que lhe conferiam amplos poderes financeiros.
- Publicações Fantasmas: A dupla teria publicado portarias de majoração salarial em órgãos extraoficiais, em desacordo com a Lei Municipal n. 2.115/17, para evitar a fiscalização.
- Fraude em Férias: Em um dos casos mais flagrantes, uma servidora teria solicitado a conversão de 15 dias de férias em dinheiro, mas alterado o sistema informático para receber o equivalente a 30 dias — um golpe de R$ 30.027,54 em uma única operação.
Impacto nos Cofres Públicos
O Ministério Público estima que, apenas entre fevereiro de 2022 e fevereiro de 2023, cada uma das servidoras tenha lucrado indevidamente cerca de R$ 80.474,42. Consultas recentes ao Portal da Transparência indicam que uma das envolvidas chegou a receber uma remuneração bruta superior a R$ 13 mil em janeiro de 2026.
Providências Administrativas
A atual presidente da Câmara, vereadora Wanice Luciana (Republicanos), confirmou o cumprimento da decisão judicial. Além do afastamento, foi determinada a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que pode culminar na exoneração definitiva das servidoras.
Apesar do afastamento das funções e da proibição de contato com testemunhas, a Justiça manteve o pagamento da remuneração básica das acusadas durante o período de instrução do processo, conforme prevê a legislação vigente.
O espaço permanece aberto para a manifestação da defesa das servidoras mencionadas.
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