JUSTIÇA INTERVÉM PARA CESSAR EXPLORAÇÃO FINANCEIRA CONTRA IDOSA DE 87 ANOS EM TRÊS LAGOAS
A neta da vítima é acusada de vender o único imóvel da avó, realizar empréstimos indevidos e controlar benefícios previdenciários para benefício próprio.
22/01/2026
TRÊS LAGOAS (MS) – Uma decisão judicial urgente trouxe um novo fôlego à proteção dos direitos da pessoa idosa na região. Após denúncia e investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a Justiça determinou o bloqueio imediato das contas e a retirada de qualquer poder de administração financeira de uma mulher sobre os recursos de sua avó, uma idosa de 87 anos.
De acordo com a 4ª Promotoria de Justiça, a neta utilizava-se da confiança e da vulnerabilidade da idosa — que reside em uma instituição de acolhimento desde 2018 — para desviar seus proventos. Entre as irregularidades apontadas em relatórios técnicos, destacam-se:
Venda de Patrimônio: O único imóvel da idosa foi vendido por um valor abaixo do mercado. Pouco depois, a neta teria adquirido uma nova propriedade apenas em seu próprio nome.
Endividamento: Foram identificados diversos empréstimos consignados realizados sem justificativa ou benefício para a idosa.
Controle Digital: A neta alterava recorrentemente senhas de aplicativos bancários e do portal gov.br, impedindo que a própria idosa ou os órgãos de fiscalização acompanhassem o uso do dinheiro.
Diante da gravidade dos fatos, o Judiciário impôs medidas severas para garantir a dignidade da vítima:
Prazo de 24 Horas: A neta deve entregar todos os cartões bancários, senhas e acessos digitais. O processo de transição será monitorado pela equipe técnica da instituição onde a idosa vive.
Bloqueio Bancário: Instituições como Banco do Brasil, Santander, BMG e Sicredi foram notificadas para cancelar procurações vigentes e redefinir acessos.
Redirecionamento de Benefícios: O INSS e a AGEPREV foram ordenados a alterar o local de pagamento das pensões para assegurar que o montante seja revertido exclusivamente ao bem-estar da idosa.
O MPMS reforçou que a ação visa interromper um ciclo de violência patrimonial dentro do núcleo familiar. A decisão estabelece ainda uma multa diária caso a neta tente movimentar qualquer valor pertencente à avó ou se recuse a colaborar com a justiça.
O caso serve como alerta para a sociedade sobre a importância de denunciar abusos financeiros contra idosos. O acolhimento institucional, como no caso desta idosa, foi peça-chave para que a equipe técnica identificasse a precariedade financeira da residente e acionasse as autoridades competentes.
Casos de abuso financeiro, negligência ou violência contra idosos podem ser denunciados anonimamente através do Disque 100 (Direitos Humanos) ou diretamente no Ministério Público local.