O CONTRASTE MILIONÁRIO ENTRE O LUXO DO NATAL E O DESPREZO COM A SAÚDE NO HOSPITAL AUXILIADORA EM TRÊS LAGOAS

Enquanto a prefeitura torrou mais de R$ 4 milhões em luzes e enfeites, pacientes idosos e autistas agonizam em filas de espera e famílias são obrigadas a levar fraldas para dentro da unidade por falta de estoque básico.

10/03/2026

Nilson Lobão/Saiba Tudo

TRÊS LAGOAS (MS) – A dignidade humana parece ter ficado em segundo plano em Três Lagoas. Relatos estarrecedores que circulam nas redes sociais e chegam à nossa redação revelam um cenário de abandono no Hospital Auxiliadora. A denúncia é grave: falta o básico do básico — fraldas descartáveis — e a demora no atendimento atingiu níveis insuportáveis, ignorando inclusive as leis de prioridade para idosos e autistas.

O CAOS NO ATENDIMENTO E A HUMILHAÇÃO DAS FAMÍLIAS

Familiares relatam que a espera por atendimento médico se arrasta por horas. “Não existe prioridade de verdade. Vemos idosos e crianças autistas sofrendo na espera, sem qualquer suporte”, desabafa um acompanhante.

Mas o que mais choca é a denúncia de que o hospital está sem estoque de fraldas há meses. Um enfermeiro da unidade, que pediu sigilo por medo de retaliação, confirmou que a situação é crítica: “As fraldas que tínhamos eram de doações, não de estoque regular. Agora acabou tudo e a orientação é que a família se vire e traga de casa”, revelou o profissional.

O CONTRASTE DA INDIGNAÇÃO: R$ 4 MILHÕES EM ENFEITES, ZERO EM FRALDAS?

A revolta da população ganha um combustível amargo ao lembrar que, há apenas três meses, a cidade ostentava uma decoração de Natal que custou exatos R$ 4.021.370,00 (quatro milhões e vinte e um mil reais).

O Luxo: Milhões investidos em luzes e esculturas (como a polêmica capivara) na Avenida Antônio Trajano e Lagoa Maior.

A realidade é que pacientes internados não têm acesso ao mínimo de higiene básica garantida pelo estado ou município.

Como é possível uma cidade que investe mais de R$ 4 milhões em ornamentação passageira — valor superior inclusive ao gasto da capital, Campo Grande — permitir que seu principal hospital funcione no “improviso” de doações para itens de higiene?

A pergunta que fica para a gestão municipal e para a direção do hospital é: onde está a prioridade? O brilho das lâmpadas de Natal parece ter cegado as autoridades para o sofrimento de quem mais precisa de socorro e dignidade.

PROCURADO POR NOSSA REDAÇÃO, PORTAL SAIBA TUDO, A DIREÇÃO DO HOSPITAL MARIA AUXILIADORA RESPONDEU:

NOTA AO PORTAL SAIBA TUDO

Três Lagoas, 10 de março de 2026.

O Hospital Auxiliadora, instituição filantrópica e referência regional em assistência hospitalar, vem a público prestar esclarecimentos diante de questionamentos relacionados ao fornecimento de fraldas e outros insumos aos pacientes internados.

Esclarecemos que, conforme a organização da rede de atenção à saúde, os pacientes regulados e encaminhados pelos municípios, quando possuem necessidade do uso de fraldas, devem chegar à unidade já com esse item de uso pessoal, providenciado pelo município de origem ou pela própria família.

Ainda assim, o Hospital Auxiliadora, pautado pelos princípios da humanização do atendimento e do cuidado integral ao paciente, historicamente busca oferecer apoio complementar durante o período de internação, disponibilizando fraldas quando necessário, especialmente em situações de maior vulnerabilidade.

No momento, a instituição enfrenta pontuais dificuldades relacionadas ao fornecimento por parte de alguns fornecedores, situação que impacta temporariamente a reposição regular desse item. Ressaltamos que as equipes administrativas já estão adotando as medidas necessárias para a regularização do abastecimento junto aos fornecedores.

Importante destacar que não há qualquer comprometimento da assistência prestada aos pacientes, sendo mantidos todos os cuidados necessários para garantir o bem-estar, a dignidade e a segurança de quem está sob nossos cuidados.

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