SUPOSTAS IRREGULARIDADES EM PAGAMENTOS AUMENTAM PRESSÃO SOBRE SECRETÁRIA EM TRÊS LAGOAS
Denúncias envolvem salários de R$ 18 mil para serviços sobrepostos ao IML e remuneração por setores que já não operam no município.
01/04/2026
TRÊS LAGOAS – A gestão da Secretaria Municipal de Saúde, Juliana Salim, enfrenta um de seus momentos mais críticos. Novas denúncias sobre a folha de pagamento da pasta levantaram suspeitas de irregularidades administrativas, possível duplicidade de funções e pagamentos por serviços em setores inexistentes. O cenário acirra o descontentamento popular e coloca a administração municipal sob a lupa dos órgãos de controle.
O primeiro ponto de conflito envolve o pagamento mensal de aproximadamente R$ 18 mil a um médico para atuar no Serviço Municipal de Declaração de Óbito. A controvérsia reside na natureza do serviço: por lei, o preenchimento de declarações de óbito e a verificação de causas mortais em determinadas circunstâncias já são atribuições do Instituto Médico Legal (IML).
Especialistas em gestão pública questionam a necessidade de um contrato municipal vultoso para uma função que já possui respaldo estadual. A suspeita é de que o município esteja custeando uma estrutura redundante, configurando um possível mau uso do dinheiro público.
Ainda mais alarmante é a denúncia de que uma médica estaria recebendo proventos como plantonista da Regulação Hospitalar. O problema, segundo fontes locais, é que este setor foi desativado ou reestruturado, não existindo mais na configuração atual da rede municipal.
Este caso aponta para uma falha grave nos mecanismos de controle interno e de Recursos Humanos. O pagamento por uma função em um setor inexistente é um dos principais indícios de desorganização administrativa, podendo ser tipificado como improbidade se comprovada a má-fé ou a ausência da prestação do serviço.
Enquanto as planilhas de pagamento geram polêmica, a realidade nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e na UPA de Três Lagoas é de escassez. A população tem relatado:
Falta de profissionais: especialidades básicas com agendas travadas.
Demora em exames: pacientes aguardam meses por procedimentos simples.
Filas de espera: sobrecarga nas unidades de pronto atendimento.
“É inadmissível ouvir falar em salários de 18 mil reais para serviços questionáveis quando falta o básico no postinho do bairro”, desabafou um morador que preferiu não se identificar.
SILÊNCIO E INVESTIGAÇÃO
A reportagem solicitou oficialmente um posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde e da secretária Juliana Salim. Até o fechamento desta edição, não houve resposta aos questionamentos sobre a manutenção do serviço de óbito nem sobre a situação funcional da médica vinculada à regulação.
Com a publicidade dos fatos, a expectativa recai sobre o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS). Caso as investigações avancem, a prefeitura poderá ser obrigada a exonerar responsáveis, suspender pagamentos e buscar o ressarcimento de valores aos cofres públicos.
A permanência de Juliana Salim no cargo é vista agora como um teste de resistência para a atual administração, que precisará escolher entre o apoio político à secretária ou uma reforma administrativa para estancar a crise de imagem.(Com informações Clara News)